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CANTAREIRA » S.O.S. CANTAREIRA » Notícias » AUDIÊNCIA PÚBLICA DO TRECHO NORTE DO RODOANEL EM GUARULHOS
3ª audiência realizada dia 19/01/2011Fonte: Zn na LinhaDurante quase sete horas representantes de Guarulhos e São Paulo, vindos de diversos bairros, confirmaram, a exemplo da audiência de São Paulo, a posição de contrariedade, insatisfação e insegurança quanto às obras do Trecho Norte. Representantes da cidade de Mauá que sofrem com a Estrada Jacu-Pêssego, empreendimento da DERSA, também se manifestaram e vieram dar apoio a quem irá padecer com as obras do Rodoanel.
Os pontos principais levantados foram: o prefeito de Guarulhos, Sebastião de Almeida e alguns vereadores presentes apresentaram os aspectos negativos da obra pedindo comprometimento da DERSA no respeito aos anseios da cidade. O engenheiro da Associação Jardim Itatinga apresentou estudos que comprovam várias incoerências do EIA/RIMA, que o desestruturam, resultando na necessidade de novos estudos. Outras falas dos inscritos apontaram os duvidosos benefícios do Rodoanel, em todos os trechos. Os impactos ambientais na APA Tanque Grande em Guarulhos; a imposição do modelo rodoviarista de 100 anos para uma área cuja evolução remonta a milhões de anos; a existência de 10 espécies animais em extinção e 78 ameaçadas; a destruição de uma floresta compensada pelo plantio inócuo de fracas mudas; a desconsideração da biodiversidade; a impossibilidade de substituir um ecossistema equilibrado; os atrativos econômicos do empreendimento superando a importância da qualidade de vida. Na audiência em Guarulhos foi apresentada a questão de produção de dióxido de carbono, já intensa devido ao Terminal de Cargas Fernão Dias e junção da Rod. Dutra e Rod. Fernão Dias que irá se intensificar. Muitos pedidos foram feitos para realização de mais audiências a fim de se discutir o tema complexo e abrangente com o intuito de obter mais informações. Foi levantada a questão da ausência de um Estudo de Impacto de Vizinhança promovido pela municipalidade, previsto no Estatuto da Cidade (Lei Federal 10.257/01). Outro assunto se referiu ao aumento de chuvas e sua relação com o desmatamento e a falha de resultados quanto à compensação ambiental. Questionou-se o posicionamento da DERSA que apresenta o Rodoanel como barreira para a mancha urbana, comprovando-se, pelos outros trechos, que isto não vem ocorrendo e nem ocorrerá. Foi feita uma votação (em torno de mil pessoas presentes) por um representante de Guarulhos quanto a quem apoiava o trecho norte do Rodoanel, resultado: ninguém levantou a mão em sinal de apoio. Destacou-se que áreas de preservação estão sendo utilizadas como bota-fora, ou seja, depósito de sobras de material das obras. Concluindo, os pontos de destaque foram: 1 - as incoerências do EIA/RIMA, estudo que tem como finalidade viabilizar o empreendimento; 2 - o pedido de mais audiências públicas; 3 - a impossibilidade de compensar o equilíbrio ambiental da Serra da Cantareira; 4 - os danos à saúde e qualidade de vida dos moradores não só do entorno, como de áreas mais afastadas, com a poluição atmosférica e sonora; 5 - o risco advindo com a descaracterização da Serra causando, em tempos de chuvas intensas, desastres iguais ou maiores do que os que vêm ocorrendo; 6 - a manifestação, através de votos, que confirmou contrariedade ao Rodoanel como empreendimento que irá trazer benefícios à população e 7 - concordância de que seu real objetivo impõe a valoração econômica em detrimento da qualidade de vida e da preservação ambiental.
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