Caçambeiro amplia desova de entulho nas ruas do Jd. Damasceno

Alegando não terem alternativa desde o fechamento do aterro Jaceguava, em Parelheiros (zona sul de SP), por falta de licença ambiental há duas semanas, caçambeiros estão jogando entulho nas ruas. Foi localizado nesta quinta-feira um aterro clandestino no Jardim Damasceno (zona norte de SP) e outros dois pontos de desova de resíduos de construção civil na mesma região.


aterro_damasceno.jpgO aterro clandestino, localizado em frente ao número 51 da rua Fortunato Devoto, fica a apenas 1,5 km do aterro Itaberaba, único na cidade que tem contrato com a prefeitura para receber resíduos da construção civil. Por conta do acúmulo de entulhos, o aterro oficial já distribui senhas para caçambeiros e deixa de receber cerca de mil toneladas por dia, que devem ir parar nas ruas.


Segundo moradores, o movimento de caminhões de entulhos no ponto clandestino aumentou nos últimos dias. A Secretaria Municipal de Serviços informou que não há nenhum ponto público ou particular de desova de material nessa área.


Próximo de lá, na altura do número 360 da rua Daniel Cerri, no mesmo bairro, há outro ponto de entulho. Há ainda um ponto de desova na rua Projetada 1, no Jardim Princesa. Por volta das 11h de ontem, ele contava com sete caçambas cheias de entulho.


Já na zona sul, o ponto de desova, muito maior que as duas encontradas na zona norte, fica na altura do número de 3.600 da estrada do Alvarenga, no bairro de Pedreira. No local, uma faixa de pelo 150 metros de entulho colocado entre a via e um terreno baldio tem aumentado, segundo os próprios caçambeiros, ao longo dos últimos dias.


Segundo a Secretaria Municipal de Serviços, 3.000 toneladas de entulho são recolhidos pela prefeitura diariamente nas ruas da cidade. Segundo o Sieresp (sindicato das empresas removedoras de entulho), se a prefeitura não encontrar uma solução para a demanda de entulho que ia para o aterro de Parelheiros, a situação tende a piorar. 

 

Fonte: Agora Online

 

Comentário RECANTA :  RACISMO  AMBIENTAL NA CANTAREIRA ?

O racismo ambiental é uma forma de discriminação e de prejuízo direccionado em que se torna evidente o resultado catastrófico da hierarquização que os seres humanos estabeleceram entre si e em relação ao meio natural. A hierarquia resulta da percepção de superioridade dos mais poderosos politica, económica e socialmente em relação aos mais fracos, superioridade essa que os faz pensar que podem dispor do que julgam inferior a seu bel-prazer.


Assim sendo, o racismo ambiental pode-se definir como sendo a colocação intencional de lixeiras perigosas, aterros sanitários, incineradoras, indústrias poluidoras, etc., em comunidades habitadas por minorias étnicas ou pelas camadas mais desfavorecidas economicamente da população. Estas comunidades são particularmente vulneráveis porque são vistas como não reivindicativas, sem poder de negociação e fracas politicamente devido à sua enorme dependência dos empregos e ao medo pela própria sobrevivência económica.

Estas são as razões profundas que estão na génese do racismo ambiental:

. Racismo - antes de mais o próprio racismo enraizado nas mentalidades que gera um padrão duplo a respeito das práticas ambientais que são aceitáveis para cada comunidade.

. Poder transnacional e mobilidade das multinacionais - as grandes corporações tornaram-se mais poderosas que os estados nacionais e, com a conivência destes, exercem o seu poder sem dar contas a ninguém a não ser aos seus accionistas. A sua grande mobilidade permite-lhes exercer chantagem sobre as comunidades que vêm a mudança de localização da empresa como uma possibilidade que as leva a aceitar riscos ambientais e perca de direitos laborais.

. O lucro antes das pessoas - O impacto que as industrias de extracção e de processamento têm na saúde humana não importa quando se procura aumentar os lucros.

. Padrões ambientais menos exigentes no estrangeiro - os países em que há regras ambientais menos rígidas são os mais apetecíveis para as multinacionais. As populações são, por sua vez, menos reivindicativas e exigentes.